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Aprendizagem além dos limites visuais

Atendimento especializado nas escolas públicas garante inclusão e cidadania a estudantes com deficiência visual

Como os jovens da sua geração, o estudante João Victor Alves Dornelas de Macedo tem uma rotina comum. Gosta de escutar música e bater papo, estuda no Centro de Ensino Médio Setor Leste, faz inglês no Centro Interescolar de Línguas, sua disciplina preferida é Língua Portuguesa e sonha em cursar Comunicação Social ou Direito. Ele é um dos 600 estudantes com deficiência visual, surdo cego ou baixa visão matriculados nas escolas públicas.

João Victor possui deficiência visual desde que nasceu e, aos três meses de idade, já era atendido pelo Programa de Educação Precoce (PEP) desenvolvido pela rede pública de ensino do DF e que atende crianças de zero a três anos e 11 meses de idade.

Segundo a subsecretária de Educação Inclusiva e Integral Vera Lucia Ribeiro de Barros, o objetivo é “promover o desenvolvimento máximo do potencial de cada criança. Mesmo na pandemia não houve a interrupção do atendimento de forma plena aos alunos. Utilizamos instrumentos para acompanhar o desenvolvimento de cada estudante e as famílias têm nos acompanhado nesse processo”, destaca Vera Lucia.

Com o apoio da sala de recursos, a dedicação dos professores e o carinho da minha família já me adaptei às atividades virtuais❞

João Victor, estudante

 

O início da pandemia também foi desafiador para João Victor, que nem por isso desanimou. “Com o apoio da sala de recursos, a dedicação dos professores e o carinho da minha família já me adaptei às atividades virtuais”, afirma. As escolas públicas contam com 24 salas de recursos que prestam Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos estudantes com deficiência visual. Essas salas são espaços inclusivos que proporcionam o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social do estudante com necessidades específicas.

No episódio desta semana do Podcast EducaDF apresentamos o atendimento especializado oferecido pelas escolas públicas aos estudantes com deficiência visual e a adaptação à pandemia. A logística de atendimento incluiu o uso de recursos específicos como softwares de voz e entrega em domicílio de material didático aos estudantes para que não sejam prejudicados pela pandemia. Confira o podcast (inserir link) nas plataformas de áudio.

O diretor do CEEDV Airton Dutra de Farias: 25 anos dedicados aos estudantes com deficiência visual. Foto: Robson Dantas – SEEDF/Ascom

Transcendendo os desafios cotidianos

Além do PEP e das salas de recurso, a rede conta com o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), onde João Victor também estuda. A escola oferece o mesmo currículo das unidades escolares regulares com as adaptações necessárias e procedimentos metodológicos específicos. O atendimento se dá de maneira sistêmica e o CEEDV é denominado como uma escola de passagem. “Após o atendimento no PEP, a criança segue para o Programa de Atendimento Pedagógico Especializado (PAP), onde inicia o processo de alfabetização tanto no Braille, quanto no uso do Soroban, um ábaco adaptado. Os estudantes saem alfabetizados do CEEDV para o ensino regular”, diz Airton.

O Braille é um sistema de escrita tátil e, tradicionalmente, é escrito em papel relevo. O Soroban, por sua vez, é um recurso utilizado para o ensino-aprendizagem da matemática aos estudantes com deficiência visual.

Vencendo os estigmas

Minha motivação é contribuir para o crescimento de cada pessoa. Embora o início da pandemia tenha sido difícil, montamos estratégias e o resultado foi que muitos estudantes estão evoluindo mais do que no presencial❞

Fernando Rodrigues, professor

 

Os professores que atuam no ensino para estudantes com deficiência visual possuem uma formação específica e continuamente participam de capacitações. Muitos deles venceram seus próprios dilemas, como é o caso do professor Fernando Rodrigues, que convive com a cegueira há 38 anos, e atua no CEEDV, desde 2005, ensinando Soroban.

Minha motivação é contribuir para o crescimento de cada pessoa. Embora o início da pandemia tenha sido difícil, montamos estratégias e o resultado foi que muitos estudantes estão evoluindo mais do que no presencial”, enfatiza Fernando.

Ainda, de acordo com o diretor Airton, que tem se dedicado a esse público há 25 anos, “conhecimento e felicidade ou se compartilha ou se perde. Esses estudantes têm direito à educação. O atendimento especializado proporciona autonomia e cidadania plena preparando os estudantes para a escola regular e o mercado de trabalho, ou seja, para a vida”, finaliza.

Informações SEEDF

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